terça-feira, 2 de setembro de 2008


E um dia eu me dei conta de que havia nascido e crescido numa província, e que tudo o que eu havia feito ecoaria na posteridade da memória de alguns sem miolos da região em que habito. Deu-me vontade de sair, aliás, sempre tive esse desejo, uma espécie de medo também me assombrou (ou assombra?) quando penso no mundo de possibilidades e nas inúmeras oportunidades que perdi ou irei ganhar.
Assim, me peguei no dia de hoje, e sem notar também percebi que certas coisas são necessárias na vida da gente, que tais medos e revoltas são naturais, e que aqui e em qualquer lugar esta cheio de filhos da puta que pensam e agem igual ou piormente que provincianos ou qualquer outro tipo de pessoas. As outras cidades também têm manos, putas, ladrões, vovozinhas, escolinhas com parquinho, políticos corruptos e mais raramente os bons, em todas as cidades têm um carinha que não te deu bola, uma menina que não te suporta porque você pegou o cara dela (ou que ela achava que era dela), uma pessoa que você morre de vergonha por ter feito pra ela ou com ela algo meio “imoral”, e assim vai.
Toda cidade tem seus defeitos, suas qualidades, seus empregos, sua vida própria, vigiada ou não, mas só aqui é o lugar de onde tenho que me orgulhar e agradecer por ter me ajudado a ser assim, por ter me dado a oportunidade de ralar os joelhos e o coração!