
A vida é uma musica que com tempo e pouca paciência tento aprender a dançar. Seu ritmo indefinido e inesperado faz de mim marionete desengonçada que muitas vezes perde o rebolado. Essa música que eu não sei a letra, mas mesmo assim eu canto pra “não ficar chato”, e eu sei que pode parecer ridículo e fajuto como um ventríloquo, estou lá entoando algumas notas. Às vezes grito a musica que é minha vida, às vezes não tenho forças nem para sussurrá-la, mas mesmo assim, não paro, sem ritmo, desafinando... Eu vou cantando e dançando para quem quiser ouvir e ver.
Minha vida é a minha música que toca alto dentro de mim sem cessar e orgulhosa dela ou não, enjoada dela ou não, vou ter que aprender a disfarçar ou antecipar certas notas pra não fazer tão feio como, olhando pra trás, vejo quando, quanto e porque errei. Mas minha musica não pode parar, mesmo hoje tocando baixinho e quase sem vibração nenhuma eu vou ter que passar por mais esse embaraço. O tempo passou e talvez tais saudosas melodias eu não ouça e nem dance nunca mais! É fato que, se voltarem, já as ensaiei uma vez, se não, peço por coragem pra enfrentar mais essa estrofe.
Agora, depois de ter dispersado de tal forma minha música ao ponto dela quase ser apagada, só fico com medo de estragar o refrão, afinal de contas, na minha vida é ele que eu busco! Ta faltando refrão na minha musica e agora, apesar das trapalhadas antes apresentadas até aqui, peço licença porque se fez a hora de começar compô-lo!
