
Não é que eu discorde da boa vontade das pessoas, mas às vezes não consigo ver sinceridade no dito sentimento de tais seres. Parecem coisas vãs, sem pretextos, sem fundamento ou qualquer tipo de lógica, parece falso, inexato, incapaz, incomparável aos meus... Meus sentimentos são tão afloráveis e inesperados que às vezes nem sei direito como agir diante deles, pareço tola e inexperiente apesar dos tantos anos. Logo eu que me privo de falar o que não querem ouvir, fico parecendo marionete diante das circunstâncias.
E assim vai, eu e a indignação andando lado a lado, ouvindo falar de Deus por pessoas que às vezes não sabem reconhecer o Deus que em mim vive, sentindo ser sugada por aqueles que pensar ter Jesus como zelador de suas vidas, mas só o acusam de ter-lhe dado uma oportunidade.
Não acredito que haja pessoas que não orem, mas repudio as pessoas que oram, mesmo que iludidas, pelo Deus que lhe convém, é fácil ser quem somos sozinhos, difícil é se estender a alguém! Difícil é ser quem somos diante do que é certo e talvez até sucumbir ao que é errado, difícil é assumir que não somos tão bons assim!
Eu acredito que as palavras certas vem de pessoas também certas, dada uma hora, lugar ou contexto, mas se isolarmos o caso, tudo o que foi dito foi em vão. O que é certo é eterno, o justo é eficaz, o cuidado vem desde sempre. Isso não nos evitará possíveis desconfortos ou decepções, mas a íntima sensação de dever cumprido é o mérito que devemos reconhecer diante de tantas injustiças. Nossos triunfos, só nossos, aqueles que a gente não expõe, aliás, nem nos é capaz, é a aquela leve e serena sensação de simplesmente deitar e dormir! Como é bom!
Cansei de me arriscar, de tentar mover montanhas, mudar o mundo ou simplesmente lavar a louça, quero fazer o que me der e convier. Pegar uma mala e sair por aí, ou deitar a tarde e deixar-me iludir, correr riscos, leves doses de adrenalina, altas doses de endorfina, ser quem sou ou talvez experimentar quem não sou! Who cares?
Vou orar, rezar, pedir, enfim, traduzam como quiserem, para que eu, no mínimo não me corrompa, me sinta capaz, não me acovarde, que tudo de melhor me influencie, me contamine, só não interfira no ser que eu sou.
Minha fé, religião, preceitos, crendices, regras, princípios, prazeres, conveniências, modos, tempos, concordâncias, passado, presente e futuro somente a mim pertencem e a partir de agora não é mais admitido tentar intervir a respeito disso. São minhas manias, meus jeitos, meus disfarces, minhas taras, taras minhas. Minhas obrigações, meu papel, não estou num palco de um show que tem hora pra acabar, então, se não estiver satisfeito comigo, me elimine de vez da sua novela!

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